As chuvas que devastam São Paulo já bateram todos os recordes de índices pluviométricos desde o começo da medição, lá se vão mais de 40 anos. É água que não acaba mais, caindo diariamente há quase 40 dias. O resultado não poderia ser outro: destruição, prejuízos e mortes.
Como sempre, as áreas mais afetadas são as mais pobres, o que aumenta o drama, já que centenas de pessoas estão perdendo o pouco que possuem, sem condições de reporem as perdas, quando não vão diretamente para a rua, por conta do desmoronamento ou interdição da casa ou do barraco.
De outro lado, as perdas têm sido severas também para as camadas mais ricas da população. O tamanho do prejuízo pode ser medido através de um único dado, incontestável pela seriedade da sua dimensão: uma única grande seguradora já pagou indenização por danos causados pelas chuvas para algo ao redor de 1500 veículos.
É número para ninguém botar defeito e, o que não é o caso acima, se não houver medidas para proteção do caixa, os desembolsos com estas indenizações podem comprometer a capacidade de pagamento de uma seguradora. Mas os danos não se limitam aos veículos. Imóveis de todos os tipos e com todas as finalidades vão sendo atingidos de forma mais ou menos severa, por sinistros os mais variados, com e sem seguros.
A verdade é que as mudanças climáticas, ao longo dos últimos anos, vêm tendo impacto crescente e cada vez mais severo em várias áreas do território nacional, incluídos aí os estados de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.
Como a imensa maioria dos seguros contratados no Brasil é originada neles, é também neles que se concentram os sinistros, com um detalhe a mais: como são os estados mais ricos, os prejuízos também costumam ser maiores. Alguns tipos de seguros, dependendo do lugar, simplesmente são impossíveis, ou praticamente impossíveis, de serem contratados. É o caso de seguro contra enchente na região da Grande São Paulo. As seguradoras não disponibilizam a garantia ou, quando o fazem, em função da ante-seleção de riscos, cobram prêmios proibitivos, o que inibe sua contratação.
Já seguros contra vendavais, furacões, tempestades, tornados, ventos fortes, chuva e granizo não são difíceis, nem caros. A imensa maioria dos seguros residenciais e empresariais traz estas coberturas dentro de suas condições normais. Provavelmente, em função dos estragos causados este ano, algumas regiões poderão ter um aumento do preço destas garantias. Mas não deve ser nada que inviabilize sua contratação.
Ainda é cedo para dimensionar o impacto dos eventos de origem climática que castigam o país neste verão no preço e na comercialização dos seguros em geral. O que não quer dizer que os danos causados não tenham atingido proporções alarmantes.
O que acontece é que, mesmo com estas coberturas à disposição da maioria dos segurados, elas ainda eram pouco procuradas. Ou seja, há pouco sinistro para ser indenizado. Mas esta situação tende a mudar, com a procura por estas garantias obrigando as seguradoras a rever suas políticas comerciais. O resultado é que provavelmente vários produtos terão novos preços a partir da contabilização dos prejuízos recém-acontecidos e do aumento da demanda. |