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Antonio Penteado Mendonça
Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.
Depois da crise

Se a crise é apenas uma marolinha ou um tsunami não vem ao caso agora. O importante é dizer que ela vai passar, ainda que não tão rapidamente quanto querem nos fazer crer.  A verdade é que o desemprego na indústria brasileira ainda é alto, que a economia não está absorvendo a mão de obra nova que chega ao mercado e os índices de crescimento em relação ao momento antes da crise ainda são muito baixos.

Tanto faz, um dia no futuro já visível, a crise passa e aí quem estiver preparado tem a grande chance de dar certo, num mercado aquecido e com tudo para, nos próximos cinco anos, mudar de patamar.

Este momento não deve ser visto apenas como o final da crise. Ou como a panacéia que, baseada no crescimento econômico, vai resolver as dificuldades da comercialização dos seguros, abrindo automaticamente uma nova avenida para os riscos ainda não segurados.

Não é assim que funciona. Para estar pronto é preciso muito mais do que torcer para a crise acabar. O seu final, apenas, não fará muita diferença. O ganho virá do investimento em modernização, em aperfeiçoamento profissional, em parcerias confiáveis, em novos nichos de negócio. Enfim, de sacudir a poeira de velhas práticas que não terão lugar num mercado muito mais dinâmico e com focos muito mais abrangentes.

Neste cenário, uma das questões mais delicadas é a figura do corretor de seguros. É indispensável que aconteça uma redefinição de quem é quem nos canais de distribuição.

A maior parte dos corretores de seguros em ação no Brasil trabalha mais como agente do que como corretor. Para ser um corretor é indispensável a absoluta independência profissional. Sem ela o corretor não pode defender até as últimas consequências o seu segurado.

E o que se vê no país são corretores vinculados às seguradoras, não apenas quanto à produção colocada nelas, mas, principalmente, em função da remuneração e do suporte que lhe é oferecido para atuar preferencialmente para elas.

 A figura do agente de seguros precisa ser legalizada com contornos e responsabilidades claramente definidas.

Não tem porquê o agente ser considerado menos importante do que o corretor de seguros. Ele não é. O que acontece é que os dois fazem coisas diferentes, com obrigações e responsabilidades diferentes.

O corretor de seguros representa o segurado. E o agente de seguros representa a seguradora. Na maioria dos países mais desenvolvidos esta distinção é clara e baseada na lei. No Brasil ela é subliminar, já que a lei não prevê o agente e define o corretor de seguros como o intermediário legalmente habilitado a angariar seguros, o que não se confunde com representar o segurado.

Para que o setor possa se desenvolver no ritmo que se espera dele é indispensável que este tipo de indefinição deixe de existir. Com cada um tendo um papel definido, fica mais fácil para o segurado optar como ele deseja contratar seus seguros.

Quem quiser fazer diretamente com a seguradora terá um produto e um atendimento, quem fizer via um agente terá as vantagens e desvantagens deste tipo de contratação. E quem escolher um corretor terá ao seu lado não apenas um intermediário, mas um especialista que deverá atendê-lo durante toda a vigência do contrato.

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