A abertura do mercado de resseguros acaba de completar um ano. É verdade que a lei é de 2007, mas o fim do monopólio aconteceu em 2008, quando, de acordo com ela, o IRB deixou de ser o único ressegurador autorizado a operar no país.
De lá para cá, em teoria, ou de acordo com declarações otimistas de gente interessada no assunto, mudou muita coisa. Na prática, não mudou tanto assim. Ou, se mudou para melhor, foi especialmente para o IRB.
É difícil dizer todas as razões, mas o fato é que nem todas as resseguradoras que eram esperadas para se instalar como resseguradoras locais vieram para o Brasil. Pelo contrário, o quadro atual é de duopólio, já que além do IRB, apenas a Munique Re está realmente instalada e operando efetivamente como resseguradora local.
As outras que se habilitaram nesta categoria ou não têm tamanho para entrar no jogo com o peso necessário para fazer diferença, ou ainda são muito recentes, o que deu uma vantagem estratégica importante para o IRB, que correu praticamente solto ao longo dos últimos doze meses.
A grande maioria das resseguradoras que se registraram para operar no país, o fizeram na categoria de resseguradoras eventuais, ou seja, atuam como empresas estrangeiras que podem aceitar riscos no Brasil. Nada de novo, que não acontecesse antes ou que mude alguma coisa para o mercado local.
A terceira categoria prevista na lei – e que teve uma adesão maior do que a resseguradora local – é a resseguradora admitida. Uma empresa estrangeira que abre uma representação no país, que se submete a determinadas regras operacionais, mas que não se registra como empresa brasileira. E que, por isso, tem uma participação na cessão dos riscos maior do que as resseguradoras eventuais e menor do que as resseguradoras locais.
Para complicar o cenário, foi exatamente ao longo deste ano que a crise econômica mundial cobrou seu preço das grandes resseguradoras internacionais, comprometendo seus balanços e, consequentemente, sua capacidade de investimento e de aceitação de riscos.
Completando o quadro, estes mesmos balanços foram severamente afetados pelas indenizações pagas em função de dois grandes furacões.
Do lado nacional, é possível apontar alguns fatores que também tiveram influencia direta no desenho acima, que privilegiou o IRB, dando-lhe uma vantagem que, se for bem explorada, pode garantir-lhe, inclusive no futuro, uma posição de destaque na atividade resseguradora sulamericana.
O primeiro foi o desconhecimento do mercado internacional por parte das seguradoras brasileiras. O segundo foi a falta de conhecimento das operações de resseguros realizadas num mercado aberto pelas seguradoras brasileiras. O terceiro foi a longa parceria com o IRB e a confiança no antigo ressegurador nacional, com quem operaram por mais de setenta anos. Finalmente, quem sabe o mais importante, é que as seguradoras brasileiras necessitam pouco resseguro para uma grande parte de seus negócios.
Este desempenho pode ser visto nos números positivos apresentados pelo último balanço do IRB. Que deve manter, pelo menos ao longo dos próximos doze meses, sua posição de maior ressegurador brasileiro. Especialmente em função da crise mundial, que continua a afetar a atividade pela elevação dos preços dos resseguros, pela diminuição da capacidade de aceitação de riscos e pela situação pouco confiável de uma série de empresas tidas até pouco tempo atrás como das mais sólidas do mercado.