Invariavelmente, em momentos de loucura coletiva, nos achamos deuses sobre a Terra. O ser humano perde a noção de seu tamanho e de suas limitações e se imagina Deus, onipotente e onisciente, conduzindo os destinos do Universo, com a sem cerimônia dos imortais regendo a vida do cosmos, sentados à mesa de banquetes, no alto do Monte Olimpo.
Então uma catástrofe natural se abate sobre nós e a redescoberta de nossa insignificância vem acompanhada de dor e sofrimento, de morte, de perdas irreparáveis e da certeza de que nada daquilo que nos movia tem qualquer importância na ordem natural do mundo.
O melhor exemplo disso é o recente terremoto que varreu do mapa mais de mil anos de história, atingindo Áquila, uma das mais belas cidades italianas, com uma força inesperada para a região.
De outro lado, mas na mesma linha, a tragédia deixa evidente que não é só uma questão de riqueza ou pobreza nacional que interfere nas consequências destes eventos, minorando ou não seus estragos.
Se os países atingidos pelo Tsunami que alguns anos atrás varreu parte da Ásia eram pobres, o mesmo não se pode dizer dos Estados Unidos ou da Europa. E o primeiro assistiu impotente Nova Orleans ser posta abaixo, enquanto a Europa horrorizada ainda conta os mortos na Itália.
Diante das forças naturais o homem é menos que um grão de areia perdido no canto de uma praia. O grande drama é que nós temos sistematicamente desafiado estas forças, colocando nosso futuro em jogo. Não que sejamos os responsáveis diretos pelo furacão que varreu a bela cidade norte-americana ou pelo terremoto que levou de roldão mais de mil anos de engenho e criatividade humana, arrasando a antiga cidade italiana.
Mas o ser humano tem a seu favor a inteligência e a capacidade de aprender, que lhe possibilita ao menos minimizar as tragédias que se abatem sobre ele, independentemente de sua vontade e fora de seu controle.
Entre as ferramentas desenvolvidas para se proteger, protegendo a sociedade, o instituto do seguro é uma das mais eficientes, tanto que há pelo menos quatro mil anos vem sendo empregada como forma de minimizar os estragos suportados em decorrência de nossa simples existência.
E aí surge uma diferença importante entre a média dos países ricos e pobres. Os países ricos costumam contratar seguros, enquanto os países pobres deixam seu patrimônio exposto aos azares da vida.
A diferença é que, após serem atingidas por um evento de dimensões inimagináveis, as populações dos países mais desenvolvidos recebem de suas seguradoras o capital necessário para reconstruir o que foi destruído e para minimizar os efeitos da perda de vidas.
Com este pagamento, elas ficam livres para continuar a aplicar suas poupanças em novas atividades produtivas, mantendo a geração de riqueza e possibilitando a preservação da qualidade de vida.
O Brasil não é uma ilha isolada, a salvo de todas as catástrofes naturais, como se não fizesse parte do planeta. Agora mesmo ainda estamos contabilizando os custos das enchentes que se abateram sobre o país, causadas pelas tempestades de verão.
E nós fazemos parte da comunidade quer não contrata, ou contrata pouco, seguro. O que nós precisamos começar a fazer é desenvolver programas de seguros capazes de nos colocar na mesma situação das sociedades mais ricas. Isso passa por uma profunda revisão das políticas públicas de proteção contra riscos, além, evidentemente, de uma nova postura da atividade seguradora.
Com a abertura do resseguro, não há razão para não iniciarmos estes movimentos imediatamente.