O mercado segurador acaba de perder um homem extraordinário, com uma história de vida extraordinária e uma carreira profissional das mais belas. Depois de Maurício Accioly, agora, quem sai de cena é Sérgio Túbero.
Ao contrário da morte do Maurício, completamente inesperada, Sérgio Túbero foi vítima de um lento processo, que se prolongou por anos a fio, até sua morte duas semanas atrás.
Sérgio Túbero foi um grande segurador. Durante décadas foi membro da alta direção de uma das companhias de seguros mais impressionantes do seu tempo: a Companhia de Seguros Aliança da Bahia.
No exercício das diferentes missões que o cargo lhe impunha, Sérgio se distinguiu desde o princípio pela honradez, pela ética, pelo respeito à palavra dada e pela lisura na condução dos assuntos.
O mercado segurador paulista deve muito a ele, principalmente no que tange aos anos em que a Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro representou a FUNENSEG, ministrando os programas de treinamento então existentes, entre eles o “Curso para Habilitação de Corretores de Seguros”, por muitos anos o melhor programa de treinamento do setor.
Quem conseguiu que a SBCS assumisse o relevante papel de formadora de mão de obra de qualidade em São Paulo foi Sérgio Túbero. Como reconhecido dirigente sindical e fundador da Sociedade Brasileira de Ciências de Seguros, ele sensibilizou as lideranças do setor, no Rio de Janeiro, para a existência da SBCS e para sua capacidade de alavancar a qualificação profissional dos que militavam na área.
Nos anos 1970 e 1980 sua atuação foi fundamental para o desenvolvimento da atividade, especialmente em São Paulo, que contava, além da própria SBCS, com a então incipiente Associação Paulista de Técnicos de Seguros, para aprimorar os conhecimentos dos quadros das companhias de seguros e dos corretores.
Em sua longa carreira de segurador, Sérgio Túbero participou ativamente da vida dos órgãos oficiais do mercado. E participou também, com pelo menos o mesmo entusiasmo, dos órgãos extra-oficiais, como o Clube da Bolinha de São Paulo, onde era figura mais que querida e onde aperfeiçoou um modo todo seu de jogar uma bandeja no chão, assustando os distraídos com o barulho dela batendo no piso.
Incansável, Sérgio Túbero dedicou-se durante décadas à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Lá, em companhia de outros nomes do mercado como Humberto Roncarati, desempenhou diversas tarefas, mas nenhuma lhe deu mais alegria e conforto que ser Mordomo do Hospital Geriátrico D. Pedro II.
A dedicação e o carinho que ele tinha pelo hospital e pelos internos chegava a um patamar raro entre os melhores seres humanos. Sua preocupação com o bem estar dos idosos internados pela Santa Casa era constante e atingia um nível de detalhes impressionante, que se refletia na ordem e no asseio do hospital e em seus relatórios sobre as atividades do D. Pedro II para a Mesa Administrativa da Irmandade.
Sérgio Túbero foi também chefe de família dedicado e carinhoso. Casado com D. Ivany, deixa os filhos Ana Maria, Ana Lucia e Sergio Charles, além dos genros Mauricio Moretti e George Longo e os netos Bruno, Marina, Luciana e Fernanda.
Finalmente, Sérgio Túbero foi um querido amigo meu, ainda que com idade para ser meu pai. Foi ele quem me levou para a Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro, um dos que me levou para o Clube da Bolinha e um dos que me incentivou na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, onde, muito graças à sua influência e seus conselhos, atualmente sou Vice Mordomo dos Hospitais.
Sérgio, que você descanse em paz, que a eternidade lhe seja leve e que o céu tenha muitas bandejas para você jogar nas nuvens e assustar os anjos.