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Antonio Penteado Mendonça
Academia Paulista de Letras, advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas.
Apesar de tudo, há vida pela frente

A crise em que o mundo se meteu – ou foi metido, depende do ponto de vista – tem tudo para se espalhar ao longo de 2009. Com isso, não há como dizer que o ano que vem será um ano fácil. Não será. E quem tem a ilusão de que vai passar impune, cuidado, é assim que as canoas afundam.

O presidente eleito norte-americano já disse com todas as letras: “A crise vai passar, mas antes disso, as coisas ainda vão piorar muito”. E se vão piorar lá, onde já se investiu mais de 2 trilhões de dólares para tentar conter os estragos, imagine aqui, onde se depende da capacidade de compra deles para exportar produtos de baixo valor agregado e cujos preços, acompanhando o que acontece com o petróleo, estão em queda.

Se o problema fosse apenas isso, seria fácil. Mas não é. O Brasil é um país com poupança interna medíocre. Não temos o capital próprio necessário para financiar as obras básicas para o desenvolvimento sustentável da nação. Como não temos, a única solução é emprestar fora. E é aí que mora o nó. O mundo perdeu, de verdade ou virtualmente, mais de 40 trilhões de dólares. É número para ninguém colocar defeito, mas, pior ainda: significa a redução do numerário disponível para empréstimo e, também, como conseqüência direta, o encarecimento deste tipo de operação.

O Brasil já sente em todas as frentes a ressaca proveniente da crise. As exportações estão diminuindo, o consumo interno está caindo, a indústria diminui a capacidade de produção e dá férias coletivas, empresários e empregados começam a conversar sobre a flexibilização dos acordos coletivos para diminuir o desemprego, e por aí vamos.

O quadro está longe de ser otimista, mas, por outro lado, está menos ruim do que já esteve no passado. Digam o que disserem, o Brasil tem mais musculatura do que tinha nas últimas crises internacionais e, quem sabe ainda mais importante, desta vez o mundo inteiro está no barco, com os países ricos sentindo mais que os em desenvolvimento os efeitos demolidores de uma realidade que se agrava dia a dia, apesar de todas as medidas tomadas para tentar conter a sangria.

Como não poderia deixar de ser, a atividade seguradora também será afetada. O ano de 2009 será complicado para ela, mas isso não quer dizer que haverá quebradeira ou prejuízos generalizados. Uns sofrerão mais do que outros, o que é normal, mas, entre mortos e feridos, o setor não deve passar por uma redução forte de seu faturamento. Este deve permanecer estável. O que pode aumentar, e aí a sintonia fina nos negócios será fundamental para manter as coisas sob controle, é o número de fraudes e a inadimplência no pagamento dos prêmios.

Além disso, é importante não esquecer que é nas crises que surgem as grandes oportunidades. Quem estiver preparado para ela, seja revendo seu plano de negócio, ou desenvolvendo novos produtos e parcerias, tem tudo para sair ganhando, quando as coisas retornarem ao normal.

Em outras palavras, 2009 é um ano para ser encarado com calma. Como diz o caipira, cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Então, se prepare para o tempo ruim. Verifique as velas e o estado do casco. Faça os reparos necessários e deixe vir, porque, no final, nessa mesma época, no ano que vem, todos estaremos aqui para desejar-nos mutuamente boas festas e próspero ano novo.

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